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arthur_rimbaud1

 

Sou um efêmero e não muito descontente cidadão de uma metrópole que se supõe moderna porque todo gosto conhecido foi subtraído tanto dos mobiliários e do exterior das casas quanto do traçado da cidade. Aqui não poderíeis assinalar os vestígios de nenhum monumento de superstição. A moral e a língua estão reduzidas à sua mais simples expressão, enfim! Estes milhões de pessoas que não têm necessidade de se conhecer sobrelevam de maneira tão semelhante a educação, a profissão e a velhice, que a duração da vida deve ser varias vezes menos longa daquela que uma estatística insana encontra para os povos do continente. Assim como, de minha janela, vejo espectros novos circulando através da espessa e eterna fumaça de carvão, — nossa sombra dos bosques, nossa noite de verão! — Erínias novas, diante da choupana que é minha pátria e todo meu coração, pois tudo aqui se assemelha a isto, — a Morte sem prantos, nossa ativa filha e serva, um Amor desesperado, e um belo Crime choramingando na lama da rua.

Disponível em http://rimbaudarthur.blogspot.com.br/2009/01/cidade.html

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (Charleville, 20 de outubro de 1854  — Marselha, 10 de novembro de 1891) foi um poeta francês1 . Produziu suas obras mais famosas quando ainda era adolescente sendo descrito por Paul James, à época, como “um jovem Shakespeare”. Aos 20 anos já havia escrito 20 livros de poesia. Como parte do movimento decadente, Rimbaud influenciou a literatura, a música e a arte modernas. Era conhecido por sua fama de libertino e por uma alma inquieta, viajando de forma intensiva por três continentes antes de morrer de câncer aos 37 anos de idade.

Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Rimbaud