O curso tem como principal objetivo oferecer aos professores, agentes culturais, oficineiros, gestores e aos demais profissionais da educação, condições de refletir sobre as concepções acerca da ampliação da jornada escolar e as implicações desta no âmbito das políticas públicas em Educação. O curso aborda a história da educação integral no Brasil e dialoga com os conceitos de espaço, lugar, território, cidade, identidades e sujeitos, presentes nas formulações da educação integral.

O Professor Dr. Paulo Nogueira da FAE/UFMG promoveu junto aos participantes um debate buscando refletir sobre qual olhar lançamos sobre a cidade e como esse olhar afetará a maneira de nos relacionarmos com ela.

O professor questionou a ideia de uma cidade partida, onde as coisas acontecem em separado, compartimentado. Segundo ele a cidade nunca estará partida. Ela não funciona a partir de uma lógica de partilha, mas sim de imbricamentos. Em sua opinião, todas as coisas estão relacionadas umas com as outras. O que acontece no morro está intimamente relacionado ao que acontece no asfalto, em alusão a uma reportagem veiculada pela televisão, mostrando como os moradores da zona sul carioca estavam se sentindo incomodados pelo barulho dos tiros da favela ao lado. Como se os únicos incomodados fossem a classe média moradora da zona sul. E os moradores da favela? Também não estariam incomodados? Ou todos seriam bandidos? A cidade partida na visão midiática como reflexo de um olhar preconceituoso, parcial e elitista.

Pensar a cidade como o lugar privilegiado da cidadania nos remete á importância de incorporá-la na prática educativa do ambiente escolar. Isso porque é indissociável pensar educação sem pensar no espaço ao qual a escola e seus participantes estão inseridos.

A escola pública surgiu intimamente ligada aos interesses do Estado, que dessa forma buscava afastá-la da experiência territorial dos seus participantes. Porém é no território que reconhecemos a identidade de uma pessoa, uma vez que será nesse espaço que ela estabelecerá suas relações sociais. Portanto, seria inevitável que a escola com o passar do tempo buscasse incorporar a dimensão territorial dos seus participantes como um aspecto fundamental no processo pedagógico. E isso passa a ser mais relevante quando a educação assume a dimensão política como um dos seus eixos centrais. Sem pensar a relação que seus participantes desenvolvem com cidade a escola efetivamente não realiza o trabalho de desenvolvimento do individuo na sua dimensão coletiva, essencial para uma ideia de democracia.

Paulo Nogueira em sua fala contrapôs rapidamente as visões de cidade construída por teóricos como Max Weber e Karl Marx, pensadores com visões distintas. Ao passo que Weber vê a cidade na modernidade como o lugar privilegiado do encontro, Marx, crítico feroz do capitalismo, a enxerga como o local da desumanização e da desigualdade social, uma vez que ela se desenvolverá a sombra da ideologia capitalista, centrada na exploração do trabalhador e na luta de classes. Essa contraposição nos mostra as multiplicidades de leituras proporcionadas pela cidade, além de indicar a impossibilidade de um discurso único que possa abarca-la totalmente. Assim, a cidade surge como um espelho dos seus habitantes, complexa e caleidoscópica, impossível de ser totalmente apreendida, porém sempre generosa em suas possibilidades de leituras e práticas. De forma idêntica acontece com a escola. Cidadescola escolacidade, par dialético que tanto cria cidadãos quanto por eles é criado.

Patrícia Moulin apresentou aos participantes a estrutura do curso destacando o caráter interativo que ele terá. O curso será dividido em 6 módulos semipresenciais, totalizando 180 horas, sendo parte realizada numa plataforma digital (Moodle) e outra com um encontro presencial por módulo, exceto no módulo VI, que não terá encontro presencial, totalizando dessa forma 5 encontros. O curso será ministrado por uma equipe composta por professores formadores, tutores e também pelos coordenadores. Os módulos do curso foram assim divididos: Módulo 1: Conceitual: Educação Aberta e a Distância e Ferramenta Moodle. Módulo 2: A escola e a cidade: políticas públicas e pedagógicas. Módulo 3: Desenvolvimento da Educação Integral no Brasil Módulo 4: Educação Integral e Integrada: Reflexões e apontamentos Módulo 5: Educação Integral como arranjo educativo local Módulo 6: Projeto de pesquisa (Cartografia).

OBS: O curso acontecerá simultaneamente em três polos: Região Metropolitana de Belo Horizonte, São João Del Rey e Coronel Fabriciano (junto com Ipatinga).

Notícia originalmente publicada no site do TEIA.