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TV Cocriativa promove oficinas sobre produção de vídeos pelo celular para estudantes do Vale do Jequitinhonha

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Aprendizado. Estudante grava imagens durante a oficina sobre produção de vídeos por celular no Serro

Há seis anos, os produtores de cinema Igor Amin e Vinícius Cabral decidiram criar um projeto que conectasse jovens por meio de produção coletiva de conteúdo audiovisual. A ideia era mostrar como produzir filmes utilizando apenas mídias portáteis – celulares e câmeras digitais. Assim nasceu a TV Cocriativa.

Um dos desdobramentos dessa iniciativa – nesse ínterim o duo trabalhou como selo com workshops e produções grandes, como o longa “O que Queremos para o Mundo?” – é o Circuito Audiovisual Cocriativo, que está levando oficinas sobre produção audiovisual a 13 cidades localizadas no arranjo sul do Alto Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres de Minas Gerais. “A ideia foi fomentar a produção em várias cidades para que no final se forme uma rede criativa”, afirma Amin.

Para fazer isso, conseguiram o apoio da ONG Estação Conhecimento e, antes de partirem para a empreitada, que teve início no dia 27 de outubro, percorreram municípios da região com o objetivo de conhecer de perto a realidade dos jovens, de 12 a 17 de anos, com os quais lidariam. “Ao fazer o mapeamento, identificamos que nas escolas o uso do celular estava gerando vários problemas relacionados ao preconceito de gênero, à banalização do sexo, à violência e à invasão de privacidade”, relata Amin.

Essa percepção guiou os coordenadores do projeto a escolher o aparelho eletrônico como instrumento principal das oficinas. Esperavam, assim, que os jovens passassem a enxergar o equipamento como um meio para criar algo positivo.

Outro norte que conduziu o minicurso foi a exploração da percepção dos oficineiros sobre os problemas que acometem suas comunidades. “Queríamos que o projeto também estivesse relacionado com questões sociais e com o desenvolvimento das cidades. Por isso, a pergunta que fazíamos para os estudantes de todas as cidades era: ‘Como vocês podem, por meio de um vídeo, resolver microproblemas de sua cidade?’. Isso foi o que guiou todos os vídeos feitos”, diz Amin.

Em fase de finalização – hoje acontece a última oficina –, o projeto agora parte para etapas seguintes. A primeira delas é a realização da Feira Cocriativa, no dia 13 de dezembro, no Teatro Santa Izabel e Mercado Municipal, em Diamantina. “Num primeiro momento, exibiremos os 13 filmes feitos pelos jovens para a comunidade”, diz o produtor.

Em seguida, oficineiros e convidados participarão da palestra Protagonismo Juvenil na Era Digital, com Lala Deheinzelin, especialista em unir o trabalho feito por meio da economia criativa com sustentabilidade a processos colaborativos, Carlos Falci, professor de pós-graduação da UFMG, e Eliana Yamaguchi, sócia da plataforma ItsNOON e vencedora por três vezes do prêmio Effie Awards de publicidade.

Bolsa-estímulo. No mesmo dia será anunciado o projeto escolhido, por meio de um edital, a receber uma bolsa para produção de um novo filme. A iniciativa visa gerar possibilidades para que os jovens participantes das oficinas possam aplicar o conhecimento adquirido.

“Muitos alunos me perguntavam se poderiam ganhar dinheiro fazendo filmes. O edital, a bolsa e um novo filme conduzido por eles são uma forma de demonstrar a esses jovens como uma parte do mercado funciona. Além disso, percebemos a demanda deles para continuar produzindo, e essa é uma forma de encorajá-los ainda mais a seguir utilizando a criatividade como forma de trabalho”, alega Amin.

O selecionado vai ganhar o cartão Coopass, fruto de um sistema de crédito da própria TV Cocriativa, e poderá gastar o valor referente a um salário mínimo em qualquer comércio local.

“Eles terão que fazer um planejamento financeiro e escolher bem o que irão comprar. Podem gastar com logística, alimentação e transporte, itens importantes na produção audiovisual. Mas também podem gastar o valor todo comprando um celular para fazer as gravações. Isso vai depender deles. O mais importante é que, com o estímulo financeiro e a consultoria que vamos prestar, esses jovens conseguirão continuar produzindo, e assim o projeto não se encerra no período das oficinas”, analisa Amin ao declarar que, para o próximo ano, planejam executar o projeto em outras cidades da mesorregião. “Vamos conectar todos em um grande circuito”, conclui.

Cidades contempladas
Desde o dia 27 de outubro, estudantes de escolas públicas de 13 cidades do Vale do Jequitinhonha participaram de oficinas que envolviam sensibilização por meio de dinâmicas, elaboração de roteiro para o vídeo, produção, edição e difusão em redes sociais. Os municípios contemplados foram:
Gouveia;
Datas;
Alvorada de Minas;
Santo Antônio do Itambé;
Serro;
Presidente Kubitschek;
Serra Azul de Minas;
Rio Vermelho;
Felício dos Santos;
Senador Modestino Gonçalves;
São Gonçalo do Rio Preto;
Couto de Magalhães de Minas e
Diamantina.

Disponível em http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/estimulando-novos-olhares-1.956109

PUBLICADO EM 04/12/14 – 04h00